domingo, 1 de janeiro de 2017

Época de ser feliz (?)


No natal circulam elixires de sorriso – vontades de ser feliz e de fazer os outros felizes…

Acoplada à época e como exigência social (e comercial) vem o “tenho de dar uma prenda!”…

É MUITO triste que assim seja. Triste porque a obrigação de um ato tira-lhe todo o sentido.

Eu faço parte do grupo de pessoas que adora dar prendas, que escolhe cada uma com um desejo profundo de fazer feliz quem a recebe.

Dou muitas? – Não. O encontro é familiar e próximo e a disponibilidade de tempo e dinheiro foi temperada com achaques-do-frio que encurtaram, ainda mais, cada uma delas. Embora o corpo pedisse o abrigo de uma manta no conforto do sofá, o pedido de adiamento do natal não é prenda concedida…

Mas, corajosamente, corri as lojas da zona de trabalho e residência, em cada intervalinho possível, buscando a prenda ideal para cada um. Na véspera fiz um esforço e fui a um grande centro comercial suprir as faltas das tais “prendas ideais” nas proximidades. Já sabia ao que ia – entrei direto em duas lojas e pedi o que queria e, de seguida, fui a uma das que tem-sempre-algo que se adequa a prendas difíceis e escolhi (as que me pareceram ser úteis ou mensageiras de felicidade) para os restantes presenteados. Até as 4 voltas e meia de fila na caixa passaram com facilidade.

Espero que cada um tenha ficado agradado com o presente.

De cinzento na ceia fica a avidez de chegada da hora – que da manhã de 25 da infância passou para a meia-noite e, no despertar de novas gerações e exigência de deslocações, foi madrugando para as 10, 9, 8 e… - e a estranheza do reparo por não ter cumprido a escolha de alguns de que só as crianças receberiam prenda… - fiz questão de presentear todos!

Não que seja a prenda o mais importante… - a minha família vive longe e, na verdade, a prenda desejada era a conversa à mesa, momento único no ano para alguns.

Num panorama nacional, fica de cinzento bem escuro a frase que me pululou na mente toda a ceia, por achar que podia estragar muitos encontros familiares por esse país fora: Preferia Beirão.

Preferia Beirão? Então, da próxima, esqueça o natal!

É que natal também é fazer um sorriso e aceitar os presentes menos desejados ou adequados como se fossem agradáveis surpresas!

Se já tive prendas estranhas ou nadinha-a-ver-comigo? – Sim… Algumas pessoas nem se preocupam, outras não sabem, mesmo, escolher prendas… ficam-se pela tal obrigação.

Passei muitos anos a tentar convencer uma familiar a substituir as meias e os lenços-de-monograma oferecidos aos homens da família por algo diferente; a tentar explicar-lhe que dar cuecas azuis não é agradável e, também, a tentar fazer conversa de quais os pijamas que gosto, para não acumular mais pijaminhas de florzinhas e folhinhos a condizer com roupõezinhos que nunca usarei… Sem sucesso!

Este ano, a cada passo da busca-das-prendas-ideais, sonhei ser pai natal – ter dinheiro que chegasse para me vestir a rigor e cumprir os desejos de natal: desejos das mães de família que olham para as prateleiras de supermercado e repensam e recontam cada tostão a tentar dar cor a uma mesa de simbolismos de felicidade; desejos afogados nas lágrimas de cada pai e mãe que não pode pagar um presente que tenha a magia de pôr um sorriso nos seus filhos na noite desse cear especial.

 

façam-se felizes!

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