domingo, 5 de novembro de 2017

na linha do horizonte


paragem

dia anormal de mulher que insiste em ser normal (qb)
se a coragem não me faltasse para manter um diário,
se o tempo fosse fatiado à minha medida e sobrasse para mais do que as (a)normalidades impostas,
acho que escreveria
(sempre o soube exercício saudável)

levantei-me quando a noite já tinha caído. o dia foi passado em transe, numa tentativa de não forçar cabeça nem corpo - esquecendo deveres, imposições e prazos... o foco foi sobreviver - dores, frio, cansaço e...nem ouso dizer o que faltava mais, apesar de... não, digo: falta de colo, de toque, de quem faça por nós e nos permita descansar e recuperar

e escrevo porque acho que poucos vão ler
e os que reconhecerem a mente vão respeitar a dor

do chá do meio-dia ao arroz aquecido à noite, foi esforçado comer
ligar pc para conversa necessária e desejada, ainda que breve e trocar o som do rádio pelo da tv, tentando visualizar a pouca comicidade disponível no espectro da mais de centena de canais disponíveis... (não sei se aguento, talvez tenha de voltar ao transe...)
esperava que não voltasse a exaustão, ainda que os motivos imponham a sua permanência - horários, desrespeitos, loucuras sociais e falta de sentido desse correr de (des)vida...
corpo e raciocínio gritam por mudanças...
...as mudanças parecem não ser possíveis e as metas de retorno vão sendo passadas
gritando o corpo pelas paragens... que se adiam e adiam e adiam, até................
depois,
há a solidão
a fuga dos sorrisos quando já espremeram todo o sumo, espezinhando casca, folhas, flores, ramos,... não tendo gota de suor que pudesse servir de rega quando a planta seca (mas voltando pelo suor alheio a cada vez que têm necessitudes...)
e aquele meu preceito de que amizade precisa de proximidade revela-se certo quando todos se afastam de todos na corrida do tempo sem nexo... como se mandar um "feliz natal" em dezembro expiasse os afastamentos que permitimos...
stop
pena que seja só qb
...
.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

eclipse

é nos momentos mais aflitos que testamos oráculos, atentamos a prenúncios e tentamos encontrar resposta iluminada para a escuridão onde nos sentimos afogar…
 
procurei uma resposta e saiu-me a carta perfeita para anunciar a luz
 
a pergunta, ensandwichada entre prozac e xanax, era se havia porta para um caminho e força para o passo – quando nem para rastejar sobrava energia.
 
veio.
 
cumpra-se!
 
quando não há luz ficamos cegos e os tropeços enrolam o tato, dificultando o encontrar dos caminhos.
 
de mãos dadas abrange-se mais terreno. mas…
esse medo contagioso de tocar o próximo deixa sós e cegos cada vez mais de nós.
 
apalpando – sem interruptores, mãos ou velas – busco o destapar do astro-rei, depois de um eclipse demorado demais.
 
e continuo a sorrir, no meio da sandwich e até ao avistar de apoio ao desmaio a que leva o esforço que essa máscara diária exige – é pesada a capa
e o super-herói tem voado baixinho
 
diz-me a carta que tudo vai correr bem, no que perguntei e em tudo o mais
 
respiro
crendo nas sortes e na sua aproximação ao merecimento…
 
cumpra-se!

quinta-feira, 6 de julho de 2017

saltos de fé

confiança
onde está essa capacidade de acreditar nas palavras do outro?

não há redes que impeçam o choque da queda
desfizeram-se, no afastamento de dias forçados
não se teceram, por falta de aulas práticas de tecelagem

não há fé
cada passo é expectante de queda
é fé desconfiada
é confiança descrente


dei as mãos
dei-as, pousadas, confiantes
quando mas pediram
dei um salto de fé

fé nas palavras sãs
de um ser que cruzou o seu caminho com o meu

temerosa dos descrentes que nos cercam
mas confiante nas mãos que se estendem

ainda que seja um momento só
dois
três
sem certeza (ou esperança) na continuidade das conversas bonitas
encontradas
pacificadoras de um coração meu, que de dor é oprimido
por falta de conversas
sãs
confiantes
sem sentidos tortos
mas apenas sentidos
de caminhos abertos e de sentimentos
...

domingo, 4 de junho de 2017

mundo roto

Uma semi-mulher conhecida pelas poses... de exibição com cariz sexuado (pronto, não vou arranjar termo que substitua na perfeição o termo inicial: de puta) - sejam tidas de moto próprio ou forçadas por agentes de máquina de lançamento de vedetas-para-queimar - tem a sorte de um tarado se fazer explodir num concerto seu, dando-lhe a visibilidade que nem as posses e os agentes conseguiram...
Triste.
Mais triste haver emissões interrompidas para mostrar a parte II.
Caridade?
...
Caridade era ensinar aos pais que deixaram as suas filhas pré-adolescentes ir assistir a um concerto de alguém que assume e exibe conduta pouco normal - exagerada, de cariz impróprio para quem está a formar a sua personalidade e bebe comportamentos de modelos, que é errado compactuar com isso, é irresponsável, é estúpido.

segunda-feira, 1 de maio de 2017

trabalhar para o sucesso!

? quantos de nós trabalhamos para tentar alcançar uma vida melhor
e, tantas vezes, sentimos que nunca lá chegaremos ?

Hoje li um título - que a notícia nem vale a pena ler! - que anunciava mais um daqueles subsídios a fundo perdido, compensatórios de vento, chuva, calor ou outra qualquer ocorrência mais ou menos natural (cheia, seca; tempestade, bonança a mais...)...
Desta vez eram as bananas...
 
E vem sempre a tristeza de ver quem tem ser compensado por perder e quem não tem não ter compensação nem ajuda...
 
Ainda que as compensações sejam atribuídas após fiscalização devida da veracidade dos factos, porque tem direito o senhor 'X' a ser compensado por ter perdido o hectar de cenouras, quando o senhor 'Y' não é compensado ao ter perdido o único par de sapatos que tinha para ir trabalhar? ao ter perdido as duas galinhas que lhe davam ovos para o prato? ao...
 
Porque se 'compensam' umas perdas - de quem tem dinheiro para ter as terras, o gado, as culturas, e não se compensam as perdas de outros, que nunca puderam comprar as terras onde chova demais ou de menos; plantar as cenouras que sequem ou afoguem;...
 
...As palavras contadas de frente, há uns anos, não se apagam: a indemnização pelas cenouras perdidas que nunca foram plantadas, a outra, pelas vacas 'adoecidas' que nunca foram compradas,... e as casas construídas 'à conta' dos subsídios/indemnizações por tudo o que nunca existiu... pior assim...

terça-feira, 25 de abril de 2017

nome do meio: solidão

Cada vez mais o vejo e o sinto... e até há quem o diga, mas, depois, as ideias que se trocam não passam de meras intenções sem concretização tentada...
Vive-se Existe-se, cada vez mais, em solidão. Uma solidão que não se esquece com os dias de obrigação no trabalho - apenas se adormece; uma solidão que cada vez mais sentem, mas escondem; uma solidão filha do "afasta-te de quem está mal", como se deixar de ser solidário fosse a solução para todos os males; uma solidão de pseudo-amizades à distância, em que escassos momentos são ilustração da amizade sem sumo...
 
Tenho dificuldade em aceitar esses afastamentos, não os considero normais, nem acho que me valha de algo uma amizade-de-às-vezes...
Também não acredito que todos queiram viver longe da vida, na corrida sem meta alegre; que tantos queiram continuar a esconder quem são, pelo que anseiam,... e continuem a fingir, apesar de já saberem que a vida é finita...
Tentarei, até que a alma me doa e tenha de pausar; depois insistirei, quando a alma se erguer um pouco - escondendo as dores minhas, para afagar cabeça alheia; fugindo de sombras que me destemperam a vida, só porque não sabem ser pessoas... Tentarei ajudar a escolher portas e ajudar a abri-las.
 
venha a luz - iluminem-se bons caminhos

domingo, 16 de abril de 2017

?

Acordei com a informação:
"Coreia do norte lançou um míssil..."
"o míssil explodiu poucos segundos depois do lançamento..."
"Trump..."
De tudo aquilo percebi que as crianças grandes que brincam às guerras tinham dado um passo que podia não ser reversível. ...
Levantei-me e fui pensando como é ridículo ocuparmos o tempo com coisas tão mesquinhas e que, num momento só, podemos ter de passar a dar importância à vida, ao sobreviver - não como essa corrida para cumprir metas que nada nos dizem e nos prendem até morrermos, mas em corrida para as necessidades básicas que agora cumprimos mecanicamente (que descuramos outras - como viver, em vez de existir nessa corrida)...
Em dia dedicado à paz e à família, pela maioria das pessoas, a guerra podia ter explodido...
Liguei a TV e procurei um canal de notícias.
Não entendi. Não entendi porque falavam de trivialidades...
Depois lá veio a frase "a Coreia do Norte já tinha feito vários lançamentos e este só prova que continuam a fazer testes... a investir no nuclear..."
.
OK
é grave
Contudo, gostaria de saber se é reversível essa nojenta via de uma profissão - que já foi válida, importante, e que tinha profissionais cultos (que não davam notícias erradas por ignorância) - que apenas faz parangonas enganosas para chamar cliques e leitores ou telespetadores, sem dar qualquer valor à vida, à humanidade, à verdade.
Pensem.
Pensem todos, mas todos os que espalham a palavra têm obrigação de, ainda mais, PENSAR e contribuir para manter a humanidade em bom caminho.
Porquê dar voz e letra apenas a terrores, escrever terrores caçando letras até chegar a eles, mesmo que as letras soltas possam construir palavras belas, momentos serenos, vida...?...
Informem,
informem mais
- mas enquadrem, sejam honestos, sejam cultos e não vis caçadores de seguidores...

domingo, 26 de fevereiro de 2017

porque hoje é sexta...

porque hoje é sexta,
queria estar sentada no sofá
porque hoje é sexta,
queria abrigar-me no ninho sereno da família
abraçada,
encostada,
quieta - num sentir de estar, sem precisar
dizer, fazer ou forçar
qualquer passo
desse estar,
só estar
um estar de ser,
apenas ser
sem dever
depois de mil horas
de fazer um desfazer de vida
queria poder
mas não vai ser


desAlmada

Sinto-me desalmada.
O tempo corre e não ouço a minha alma, tal é o ruído.
Queria poder pensar. Estou cansada. O tempo esvai-se num cumprir de ridicularias impostas por incapazes. Fico exaurida.
Depois, não sei viver sem pessoas e elas já não se encontram em lugar algum... Só chocam. De trombas. Envenenadas de inveja. Incendiárias de raivas. Explodidoras  de alicerces de mundo. Odiando arquitetos de vida, porque sim. Num mar de nãos em que escolhem viver.
E, agora, digo eu NÃO, não queria existir assim. ...MAS..., confino-me à inutilidade imposta, perdendo o mundo o que nele construiria, se me fosse permitido viver.
...
Vale a pena?

 

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

da comida às memórias...

...ou uma receita de esparguete :)

Hoje fazia esparguete e, nas pressas de fazer almoço entre tarefas mais prementes, debati-me com o "enfiar o esparguete" na água, quando o tacho escolhido tinha um diâmetro menor que o comprimento da "pasta"...
...aguardei, segurando o esparguete com uma ponta mergulhada, até que amolecesse e vergasse, e fui correndo a memória dos esparguetes da minha mãe...
Ora, ela tinha o hábito de partir o esparguete em pedaços, tornando a refeição num exercício de escorrega daqui, escorrega dacolá que dava nódoas certas! Eu detestava aquilo, mas nunca a consegui convencer que o esparguete se comia a enrola-garfo e não dava para enrolar se fosse partido.
E foi assim a receita de hoje:

azeite, 1/2 cebola e 3 alhos,
1 pimento pequeno, vermelho, 1 tomate,
um pedacinho de gengibre e ervas & cheiros (coentros, alho, pimenta, piri-piri [pequenino, pois foi triturado], um toque de açafrão e louro [quando foi apurar, depois de triturada a mistura])
e duas mãos de soja grossa demolhada (por preguiça de abrir o pacote da fina).

Uma concha em cima do prato de esparguete cozido em água simples.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2017

O ruído dos incompetentes

Há uns dias falava com uma amiga que me contava uma versão de uma história que, tristemente, conheço… :  Resolveu aprender mais, está a estudar, e é sistematicamente pressionada a não o fazer. É só mais um de muitos episódios dessa saga nacional.

(Só) Evoluímos enquanto sociedade (humanidade, país, concelho, empresa,…) se cultivarmos o conhecimento, o aperfeiçoamento de cada um de nós – isso é que vai enriquecer o todo. Contudo, neste país parece ser crime querer aprender mais.

Não sei como deixamos que sejam incompetentes a progredir e a arrasar a vida dos que procuram ganhar mais competências!

Não duvido que é a incompetência e insegurança de miseráveis pobres de espírito, sem capacidades sociais e humanas (mas com “esperteza”, que os faz fazer vingar essa última palavra dos Lusíadas*) que provoca estas atitudes.

Mas, em instância final, somos todos que perdemos!
 
As penas para quem quer estudar vão do “mal olhar” o usufruto de dias legalmente concedidos para formação (míseros!) à marcação de reuniões e trabalhos “inadiáveis” em dias que foram previamente marcados para estudo ou provas de avaliação. Tudo isto com atitudes de exclusão e de cerceio da evolução profissional. Muitos deixam de poder executar trabalhos que executavam anteriormente, pois o medo de que possam ser considerados competentes aflige os colegas de trabalho – sendo excluídos exatamente por serem os mais bem preparados para a função!

Na verdade, os mais incompetentes são os chefes/diretores/dirigentes que, devendo impedir o bullying contra qualquer funcionário, ainda se juntam aos bullies. Se fossem competentes, não o fariam!

Uma conhecida dizia-me que os dirigentes escolhiam “burros” para chefias intermédias, para que não pudessem fazer-lhes sombra… É estranho… referia-se a autarcas eleitos e, para além do conceito de político (aquele que trabalha para o bem da polis!), serão eles a mostrar menos obra feita se rodeados de incompetentes… E são eles e outras chefias os culpados pelo perpetuar desta pequenez de espírito.
 
Um apontamento: a amiga lá do primeiro parágrafo, como muitas pessoas que, felizmente, conheço, "estudam" por amor ao conhecimento e não para usar o "canudo" como escada...

 

*bem, já todos devem saber que é INVEJA!

domingo, 29 de janeiro de 2017

lágrimas


as lágrimas que me caem
não são de tristeza
é cansaço que me dói 

as dores que hoje sinto
são, com certeza,
de um incumprir que corrói 

alma presa sem fiança
alegrias sem festejo 

sorrisos curtos, sem esperança
no cumprir de um desejo

 
 

domingo, 15 de janeiro de 2017

suicídio assistido

"faltou às aulas, porque é estúpida!...
foi para o hospital...
tomou sete comprimidos para dormir...
e mais... o que apanhou..."
Ouvir isto a uma jovem adolescente, em conversa de fim do dia com a mãe, que perguntava se a colega que estava a faltar à escola estava melhor (em semana de reunião de pais, em que vão sabendo destes pormenores...) é...

Triste!

As adolescentezinhas não pararam para pensar que a colega precisará de ajuda e que a sua atitude conta, enquanto pessoas que com ela convivem.

Numa situação em que deviam ser solidárias, adotam uma posição de bullies, que nem sequer reconhecem e que contribuirá para agravar os problemas da "suicida".

Assistem.

Criticam achincalhando.

Alguém terá procurado ajudar?

domingo, 1 de janeiro de 2017

Época de ser feliz (?)


No natal circulam elixires de sorriso – vontades de ser feliz e de fazer os outros felizes…

Acoplada à época e como exigência social (e comercial) vem o “tenho de dar uma prenda!”…

É MUITO triste que assim seja. Triste porque a obrigação de um ato tira-lhe todo o sentido.

Eu faço parte do grupo de pessoas que adora dar prendas, que escolhe cada uma com um desejo profundo de fazer feliz quem a recebe.

Dou muitas? – Não. O encontro é familiar e próximo e a disponibilidade de tempo e dinheiro foi temperada com achaques-do-frio que encurtaram, ainda mais, cada uma delas. Embora o corpo pedisse o abrigo de uma manta no conforto do sofá, o pedido de adiamento do natal não é prenda concedida…

Mas, corajosamente, corri as lojas da zona de trabalho e residência, em cada intervalinho possível, buscando a prenda ideal para cada um. Na véspera fiz um esforço e fui a um grande centro comercial suprir as faltas das tais “prendas ideais” nas proximidades. Já sabia ao que ia – entrei direto em duas lojas e pedi o que queria e, de seguida, fui a uma das que tem-sempre-algo que se adequa a prendas difíceis e escolhi (as que me pareceram ser úteis ou mensageiras de felicidade) para os restantes presenteados. Até as 4 voltas e meia de fila na caixa passaram com facilidade.

Espero que cada um tenha ficado agradado com o presente.

De cinzento na ceia fica a avidez de chegada da hora – que da manhã de 25 da infância passou para a meia-noite e, no despertar de novas gerações e exigência de deslocações, foi madrugando para as 10, 9, 8 e… - e a estranheza do reparo por não ter cumprido a escolha de alguns de que só as crianças receberiam prenda… - fiz questão de presentear todos!

Não que seja a prenda o mais importante… - a minha família vive longe e, na verdade, a prenda desejada era a conversa à mesa, momento único no ano para alguns.

Num panorama nacional, fica de cinzento bem escuro a frase que me pululou na mente toda a ceia, por achar que podia estragar muitos encontros familiares por esse país fora: Preferia Beirão.

Preferia Beirão? Então, da próxima, esqueça o natal!

É que natal também é fazer um sorriso e aceitar os presentes menos desejados ou adequados como se fossem agradáveis surpresas!

Se já tive prendas estranhas ou nadinha-a-ver-comigo? – Sim… Algumas pessoas nem se preocupam, outras não sabem, mesmo, escolher prendas… ficam-se pela tal obrigação.

Passei muitos anos a tentar convencer uma familiar a substituir as meias e os lenços-de-monograma oferecidos aos homens da família por algo diferente; a tentar explicar-lhe que dar cuecas azuis não é agradável e, também, a tentar fazer conversa de quais os pijamas que gosto, para não acumular mais pijaminhas de florzinhas e folhinhos a condizer com roupõezinhos que nunca usarei… Sem sucesso!

Este ano, a cada passo da busca-das-prendas-ideais, sonhei ser pai natal – ter dinheiro que chegasse para me vestir a rigor e cumprir os desejos de natal: desejos das mães de família que olham para as prateleiras de supermercado e repensam e recontam cada tostão a tentar dar cor a uma mesa de simbolismos de felicidade; desejos afogados nas lágrimas de cada pai e mãe que não pode pagar um presente que tenha a magia de pôr um sorriso nos seus filhos na noite desse cear especial.

 

façam-se felizes!

domingo, 16 de outubro de 2016

caminhos de céu e lua

...acordei oito horas depois; descansada.

Devagarinho, fiz o que pude do que não se pode adiar sempre, repeti o que se faz sem que nunca pareça ficar feito.

Os planos mais afoitos contavam com a secura que o céu não deu...

...mas essa promessa de uma lua especial, fez-me aceitar o apagão de eletrodoméstico mal-disposto e planear procurá-la mais logo, para que me ajude a recomeços; mais certos - como se querem, sempre.

Por agora, sem prantos e escolhendo amores, vou-me a desvarios...


Swarz e Teo, num dia de outono disfarçado de inverno

Depois de ver o governador da Califórnia todo nú, num zapping entre golos de Brufen - que devia ter tomado há dez horas atrás - pousei o esqueleto e agarrei nos desvarios da Teolinda. Perdi-me nos contos sortidos e só um telefonema me chamou cá...

A nudez do Swarz sempre me incomodou - nunca consegui ver beleza ou atração em corpos esculpidos a esforço e anabolizantes... Prefiro homens normais.

A Teolinda traz tudo em cada quase nada. Fica a vontade de fazer tempo para juntar mais às duas capas cá em casa...

Os desvarios ficaram pousados, entre coisas e conversas.

A noite veio tarde e o frio, que ainda estranho, foi amenizado pela companhia...

terça-feira, 30 de agosto de 2016

amigos

a amizade é um lugar especial, onde se juntam duas pessoas e se partilha vida - alegrias, tristezas, vitórias, derrotas, se recebe e se dá força...

é um poço largo, um lago de águas límpidas, onde nunca se perde o pé

se algum dia a água se turva, há que purgar as impurezas... tarefa de dois. se um se escusa ao desejo, não haverá moeda que o faça cumprir!

os que prezam a amizade podem tentar limpar as águas a solo, mas, não terão força... se insistirem demasiado, pode não haver quem acorde com o som desse esbracejar...

pode perder-se um amigo, asfixiado pelas impurezas que se deixam criar no poço, por mais límpido que ele tenham sido...

...
e tu?
vais (deixar) afogar alguém?
...
 
ter um amigo é coisa rara; ser amigo de alguém, poderá ser mais fácil, depende de ti, dos teus desejos e capacidade de te dares, mas, amizade, é raríssima - é quando coexistem as duas dádivas
estima-a

segunda-feira, 4 de julho de 2016

penas?

guardamos penas
como depenadores de seres alados
que, afinal, somos nós
perdendo as asas
a cada pena arrancada
sangrada
sofrida
perdida
quebrando sonhos de vida
 
vivamos, apenas
deixando as asas
cumprir o voar
 
sorriamos, sem penas
vivendo, crescendo
a cada inspirar

segunda-feira, 6 de junho de 2016

às vezes

...às vezes apetece só escrever [- só - mas, na verdade, escrever apetece quase todos os dias - pode, às vezes, faltar a energia, mas a inspiração não é algo estranho, é algo entranho, entranhado, normal] - não escrever é sufocante...

Caio de sono -  não será um sono de dormir, já, mas um sono de corpo a pedir descanso, num dia desviado de planos. Os planos clamam atenção, o dia corre e os outros correm atrás dele.

Estranho, sempre, essa corrida. Queria, mais, contemplar a vida, toda - esse mundo que me rodeia e perco o tempo sem ver.

Vou correr, um pouco mais, e, depois, deixar o corpo vencer, pousar e levar a cabeça com ele, ao repouso.

E falha a energia, escrevo pouco - vou consumir a que resta noutras escritas, de corrida - querida, mas sofrida...

sábado, 16 de abril de 2016

muro da felicidade

O que é, para ti, ser feliz?
 
Partilha a receita no muro da felicidade!
 
http://padlet.com/wall/qitqefx8hcyz
 
(clica na imagem para escreveres)
(podes participar anonimamente, assinar ou usar o teu perfil no padlet;
cada um poderá editar os seus contributos)

quarta-feira, 13 de abril de 2016

máscara


Se pudesse, chorava
mas são proibidas, as lágrimas…
Se pudesse, gritava
para dar voz às, presas, mágoas… 

Mas, neste mundo, não posso
ser pessoa é proibido.
Põe-se uma máscara de bicho
vive-se a vida escondido… 

Olho os olhos que espreitam
procuro uma luz lá no fundo…
mas almas não se vislumbram
nem por um breve segundo…

terça-feira, 5 de abril de 2016

perdidos

perdidos
estamos todos
perdidos
no meio
de um enleio
no fundo
de poço liso
 
perdidos
 
dá as mãos
encontra
outras mãos
gestos sãos
usa os calos
escava socalcos
sobe o poço

sábado, 6 de fevereiro de 2016

onde páras, alma?...


 
onde estás, que não te sinto
ao alcance da minha mão
num sentir de te agarrar
e aconchegar no coração 

onde estás, que não te sinto
num sentir de entender
a que não consigo chegar
para cumprir um viver 

escapas, pelas folgas dos dedos
sem outras mãos para ajudar 

escapas, por entre os segundos
num ritmo que nos vai matar